segunda-feira, 20 de julho de 2009

Fabíola

A" musa inspiradora" de meu pai, era a santa romana do veu vermelho, Fabiola, nascida em Roma e que, banida de sua casta por conta de um divorcio, voltou a igreja católica pela mão de um Papa, isso em pleno seculo IIIdc. Dedicou-se a assistir peregrinos miseráveis e na contemporaneidade virou hit mercadologico por conta sem duvida, mais da beleza de seu perfil retratado por alguem que, ao usar o vermelho para cobrir -lhe a cabeça, deixou pra sempre evidente sua feminilidade, acima talves até mesmo de sua santidade. Ele mesmo, meu pai, eu acompanhei nas manhãs de domingo, enquanto, instalado na varanda de chão encerado perto de um pequeno bosque nos fundos da casa, buscava na paleta, os tons para o veu, a pele, o negro do fundo do quadro, os lábios. O quadro de meu pai está agora em São Paulo, capital, na casa de Rita Lirio, minha filha mais jovem, filha de um outro católico nem assim tão devoto. Meu pai, desde que me entendo, sempre se disse ateu, mas nunca deixou de ser o menino educado pelos padres. Requisitado e protegido pelas mulheres, perdeu, aos 18 anos o pulmão esquerdo, formou-se medico e o vi todavida ágil, viril, bem vestido, embora um pouco displicente, bem humorado, artista, apaixonado, inteligente. Sempre envolvido com as mulheres. Gostava de ir pescar quando estava de folga. Aos 86, quando morreu, vitimado por uma queda na rua Mexico em frente a loja do INSS, tinha o rosto corado, belo, bem desenhado, aristocrático, doce. Não posso começar a falar agora do quanto eu o vi lutar contra a medicina que o recebeu depois da queda. Foram 15 dias durante os quais tentei mesmo contra minha irmã, resgata-lo daquele aparato. Ele queria sair, sabia, eu acho, que se não saisse, morreria ali. Não consegui. Levei suas cinzas ao mar na compania de um amante-amigo de olhos muito azuis que abriu a sacolinha de plastico azul do crematorio com um pequeno canivete azul turqueza enquanto o dia, prosseguia também, totalmente azul.

O ANJO DE LOS ANGELES

( Deus mesmo, quando vier, que venha armado.)
Guimaraens Rosa


Se Deus sobreviver
vou acompanhá-lo
vou apanha-lo nas bordas da noite
e pedir a ele para me tornar mutante
como o dançarino pop-fantasma- fantástico da Terra do Nunca
já que não quero morrer de over dose, só porque a beleza intoxica
e quando não morre,
mata,
à mercê da sanha midiatica
e nem vou cortar meu rosto pra ficar lindinho, até apagar o brilho do sorriso
a intensidade da pele, dos olhos,
dos belos ossos e sua velocidade
os gestos
os saltos
A Graça!


Vou pedir a Deus para não ter irmãos de menor talento mas quero nascer sim !
N'America Negra, feroz, e cool
com esse Dom Insustentável diante das transformações
impostas aos anjos delicados, requisitados para serem
demonios terriveis e devoráveis.

Se Deus sobreviver, vou falar com ele: "QUERO SER TRANSPARENTE!"
e ter o ritmo dos guetos
o timbre de voz e a insanidade dos reis do rock
mas quero ter também a calma de G.Rosa, que ouviu no sertão alguem dizendo assim:
"o que se ve mais de um homem é o que ele esconde".

Se Deus sobreviver, vou avisar a ele
que sou VOLÁTIL
e INTACTO
como um vento forte
sobre a poeira das pedras de ouro
e bronze
e ambar
e que posso voar e pousar sem impacto...

Se Deus sobreviver, vou mostrar a ele que se pode brilhar no ceu como uma chuva de protons
e eletectrons
vou explicar de novo a Deus, tin tin por tin tin
PORQUE quero ser Michael Jackson.